quarta-feira

BARILOCHE NA ARGENTINA, UMA GRATA SURPRESA

Cidadezinha linda, cheia de atrativos, belezas naturais e gente acolhedora. Assim é Bariloche, também carinhosamente apelidada de Brasiloche, tendo em vista a grande quantidade de turistas brasileiros que viajam para lá durante todos os meses do ano.
Lago Nahuel Huapi com a Cordilheira dos Andes ao fundo.
 Se no inverno, já é uma beleza, imagine na primavera, com suas flores nativas em pleno esplendor, ou no verão, quando as atividades ao ar livre convidam o visitante a desfrutar suas belezas naturais.
Bariloche foi uma surpresa agradável, não imaginávamos que havia tanta coisa para fazer, visitar e contemplar.
 Assim como milhares de brasileiros que buscam neve, decidimos ir no inverno. Para quem não fala espanhol, o "portunhol" é quase um idioma oficial. Na cidade, o real é aceito sem problemas em quase todos os estabelecimentos. Mas quem chega com dólares, a cotação é melhor.

Catedral de Bariloche.
 Catedral de Bariloche.
Nós passamos uma semana inteira por lá para fazer tudo com calma. Reservamos um dia inteiro para conhecer o Centro Cívico, o Lago Nahuel Huapi, a Catedral, as lojas de chocolate, etc. Aproveitamos para ir ao Centro de Informações Turísticas, que fica bem ao lado do Ayuntamiento (Prefeitura), e nos informarmos melhor sobre as atrações da cidade.

 Prédio da Prefeitura (Ayuntamiento).
Na hora do almoço, provamos o famoso Ojo de bife e tomamos as cervejas artesanais Patagonia, que são deliciosas. 
Casa no bairro Las Margaritas.
No segundo dia, resolvemos conhecer o Cerro Otto, muito famoso pela Confiteria Giratória que há no cume. Compramos os tickets de transporte e entrada no Teleférico no quiosque de vendas na praça atrás da prefeitura. E sem problemas chegamos à base do teleférico. A subida não é demorada.
Cerro Otto.
No Otto, há pistas para fazer trineo (esquibunda), há mirantes e uma confeitaria deliciosa que gira 360 graus. No dia em que fomos estava chovendo e nevando, o que atrapalhou um pouco, mas esses são os riscos de quem vai no inverno.

Depois de tirar fotos incríveis, tomamos um vinho delicioso com medialunas igualmente perfeitas. Um ambiente aconchegante e bem romântico com uma vista espetacular!
Mirante no Cerro Otto.
Chegando na cidade, alugamos botas e calças impermeáveis para 2 dias (os casacos e as luvas já tínhamos) e fomos pesquisar os preços dos passeios. O que não faltam no Centro são agências de turismo e os preços são praticamente tabelados. Nós gostamos do atendimento da Agência Marco Polo (Mitre, 440).

Piedras Blancas.
Fechamos um passeio para Piedras Blancas, um centro de TRINEO (o famoso esquibunda) localizado no Cerro Otto. É igual a um centro de esqui, mas o equipamento para deslizar se chama trineo. Neste lugar há 5 pistas com diferentes níveis de dificuldade. O pacote que pegamos dava direito a 6 subidas nas aerosillas (cadeirinhas) e 6 descidas morro abaixo. Foi o lugar onde nos divertimos mais! As pistas 4 e 5 são muito radicais.

Mapa Estação de Trineo Piedras Blancas.
O passeio dura quase o dia todo e valeu muito à pena. Dica: leve protetor solar, óculos de sol, água e um lanchinho na mochila. Alugue um locker (na base do centro de Trineo) e deixe seus pertences, assim você vai aproveitar melhor o dia.

Vista panorâmica de Piedras Blancas.
Um vinho para aquecer no final do dia. Piedras Blancas.
Chegando na cidade, fechamos outro passeio para o dia seguinte: um dia completo de esqui no complexo Cerro Catedral, considerado o maior Centro de Esqui da América do Sul, segundo eles.
Base da Estação de Esqui do Cerro Catedral.
Fechamos o pacote com transfer até o Catedral, 2 horas de aula de esqui, equipamentos e passe de entrada de DIA TODO na estação de esqui. Há opção de passe de meio dia, mas não é vantajoso. Com o passe de dia todo, temos acesso à todas as áreas para iniciantes, subida no teleférico Amancay, e descida pelas aerosillas Princesa I, II e III.
Pistas de esqui no Cerro Catedral.
 Como podemos ver no mapa, o complexo é enorme e há pistas com vários níveis de dificuldade. O que está em negro ou vermelho é para esquiadores extremamente experientes; já o que está em azul é para quem já esquia, e o verde é para iniciantes. 
Área para iniciantes na Base.
Muitos brasileiros reclamam que não vale a pena o investimento (não é barato), porque ficam só na área para iniciantes na base. Aí fica chato mesmo!! Busque outras áreas destinadas aos iniciantes, que são menos concorridas. Se necessário, peça que o professor te acompanhe até elas.
 Muita concorrência na Base.
Eu já sei esquiar, mas para acompanhar a Rose, tomei aula também e aproveitei para pegar dicas de curvas e freadas. Nosso professor foi muito legal, tivemos sorte, a aula que seria coletiva foi privada por falta de alunos.

Depois das duas horas de aula, o professor Mário Isla (marioisla@bariloche.com.ar)  nos acompanhou até Hoyita, uma área para iniciantes quase exclusiva (pertinho do cume da montanha). A subida foi FANTÁSTICA!!! Esquiar lá em cima, pertinho dos feras foi incrível, pois as pistas mais íngremes ficam próximas à Hoyita (vide mapa - seta vermelha).

La Hoyita - pista maior e menor concorrência.
Esquiar em La Hoyita foi a melhor coisa que fizemos. As pistas são maiores e menos concorridas. Há também uma cafeteria/abrigo com estilo rústico bem legal.
Cafeteria/abrigo em La Hoyita.
Ao fundo o Lago Nahuel Huapi e a pista de La Hoyita.
 Ela aprendeu rápido! 
E entre subidas e descidas passamos o dia. Só paramos para fazer um lanche na cafeteria/abrigo no meio da montanha. Voltamos a esquiar um pouco mais, e exaustos, descemos pelas aerosillas (cadeirinhas) os três tramos da Princesa até a Base.




  Aerosilla Princesa e a Base ao fundo.
 Na descida, aproveitamos para tirar fotos panorâmicas belíssimas. Na base da montanha, ainda fizemos duas descidas para nos despedir do Cerro Catedral.

Dicas: só aceite equipamentos de esqui novos, não esqueça de passar protetor solar, leve roupas impermeáveis e resistentes ao frio e alugue um locker na Base para deixar a mochila. Leve com você somente o indispensável (dinheiro, celular e documentos).
Cão São Bernardo, típico da região.
De volta ao Centro Cívico, devolvemos as roupas impermeáveis que alugamos, e fomos relaxar tomando uma boa cerveja Patagonia (a Bohemian era a mais gostosa) acompanhada por pizzas. Estávamos cansados, mas tivemos o melhor dia da viagem!

Fechamos o passeio para a Ilha Victoria com bosque de Arrayanes para a tarde do dia seguinte, pois sabíamos que não iríamos conseguir acordar cedo devido ao cansaço.
Para Isla Victoria, saímos do Puerto Pañuelo e navegamos no catamarã Cau Cau, bem aconchegante e moderno. Na ilha, fizemos uma caminhada entre árvores nativas e oriundas de várias partes da Europa. A ilha é bem bonita e a paisagem da cordilheira dos Andes é de tirar o fôlego!
 Isla Victoria.
 Ilha Victoria.
 Depois, voltamos para o catamarã e navegamos novamente em direção à Puerto Quetrihue em outra ilha, onde se localiza o Bosque de Arrayanes. O passeio de barco pelo lago Nahuel Huapi é bem tranquilo e revigorante.
Bosque de Arrayanes.
 O bosque de Arrayanes (tipo de árvore endêmica, com troncos cor de canela) é muito bonito e está rodeado por um caminho de madeira muito fácil para caminhar (por isso vimos muitos idosos e crianças fazendo o passeio). Não é um passeio de aventura, só para contemplação, mas muito agradável.
 
Arrayanes.
 O Bosque de Arrayanes é área protegida e foi declarada Monumento Natural da Argentina. E lá, pudemos desfrutar suas cores, seus aromas e suas flores, que teimavam em desabrochar mesmo no inverno rigoroso. Gostamos bastante.
 Puerto Quetrihue.
De volta à cidade, fechamos o passeio para Cerro Tronador para o dia seguinte. O Cerro Tronador (que significa estrondo), fica localizado a 35 km ao sul de Bariloche e o percurso passa pela famosa Ruta 40, que liga a Argentina de norte à sul.

Lago Gutiérrez no Parque Nacional Nahuel Huapi.

Mirante do Lago Moscardi.
No caminho, passamos por vários lagos belíssimos, como o lago Gutiérrez e o lago Moscardi, onde paramos para fotos.

 O passeio dura o dia todo, porque a maioria do trajeto é dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi e a velocidade é controlada. Paramos para um café em Rio Manso, outro lugar de beleza excepcional.

Rio Manso.
Seguimos viagem margeando o rio até Pampa Linda, onde almoçamos em uma taberna com comida deliciosa feita à lenha.

Pampa Linda.
Depois do almoço, chegamos finalmente ao famoso Glaciar Ventisquero Negro, que fica ao pé do Cerro Tronador, que leva esse nome devido aos estrondos originados pelos desprendimentos de gelo do glacial. O local é absolutamente maravilhoso e de beleza excepcional!

O famoso Ventisquero Negro, um dos quatorze glaciares do Cerro Tronador, que apresenta cor escura por causa da mistura dos sedimentos de terra vulcânica e gelo.

Paisagem completa: o Cerro Tronador, com o glaciar Ventisquero Negro e o lago congelado. Uma beleza sem igual. 
E o lago congelado torcendo para a gente cair nele...
 Tivemos tempo suficiente para admirar a beleza do local e tirar fotos incríveis do lago congelado, do Ventisquero Negro, do glaciar no cume da montanha... Só vendo para crer, nenhuma foto consegue captar a grandiosidade do local.
O local é tão imenso, que quase não dá para ver as pessoas no mirante.
A volta foi um pouco cansativa, pois paramos apenas uma vez para um café, mas valeu muito a pena ter feito esse passeio. Imperdível mesmo!!!
 No nosso último dia em Bariloche tivemos uma grata surpresa, pois amanheceu nevando muito. Como não tínhamos nada programado para esse dia, foi ótimo, pois aproveitamos para curtir e brincar no nosso quintal (não ficamos em hotel, alugamos um loft no bairro Las Margaritas).
A manhã passou voando, pois nos divertimos pra valer! Teve até direito à brinde com vinho branco. Nosso quintal ficou branquinho...
 Um brinde para comemorar a nevasca. 
Nosso quintal.
Enfim, a viagem foi fantástica, não imaginávamos ver tanta beleza em Bariloche. A grandiosidade da Cordilheira dos Andes sempre nos surpreende. A beleza de Pacha Mama, a Mãe Terra, nos faz ver o quão pequenos somos perante à Natureza...

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