sexta-feira

LA PAZ NA BOLÍVIA com o sítio arqueológico de Tiwanaku

Uma vez que um turista chega em La Paz, há uma reação bastante curiosa: ou ele AMA ou DETESTA a cidade. Simples assim, não há meio-termos. Com a gente aconteceu a mesma coisa...
 Centro de La Paz com prédios modernos misturados com casas inacabadas.
Se parece a uma favela gigantesca!!!
La Paz é uma cidade localizada na Cordilheira dos Andes, que fica a 3.660 metros de altitude, com clima seco e frio. Embora seja a mais famosa, não é a capital do país (Sucre é a capital). É apenas a sede do governo e tem mais de dois milhões de moradores. Na verdade, se parece com uma favela gigantesca, coisa que nos assombrou muito!!!!!!
Chegamos em La Paz de madrugada mortos de cansaço, depois de uma maratona interminável de aeroportos e esperas. Quando desembarcamos, já sentimos um frio terrível e os primeiros sintomas do SOROCHE (mal da montanha): uma tremenda falta de ar e uma pressão na cabeça. Negociamos com um taxista (não há taxímetros) e fomos direto para La Posada de la Abuela Obdulia, no Centro da cidade. 
Recomendamos sem sombra de dúvidas LA POSADA DE LA ABUELA OBDULIA, que fica na Calle Linares, 947, bem no centro da cidade e perto de tudo. Pousada segura, aconchegante, com wi-fi e excelente atendimento.
A pousada fica no primeiro e segundo andares e o clima é bem aconchegante.
Embora tenhamos conseguido sair da cama com muito sacrifício, o mal da montanha estava me matando!!! Tomei um sonrisal e um anador e saí para o café sem forças para nada. O café até tinha bastante opções saudáveis, mas não consegui comer quase nada. Adilson como sempre estava ótimo, preparou o meu café, me serviu e eu comi o que consegui mastigar. Depois saiu para comprar  SOROCHE PILLS (medicamento específico para o mal da montanha), pois eu estava realmente mal.
 Mercado de las Brujas, me sentindo melhor dos sintomas do Soroche.
Devidamente medicada, voltamos para o quarto e dormimos até as 14h, para que eu pudesse me recuperar bem. Na verdade, no nosso planejamento dessa viagem, tínhamos deixado esse primeiro dia e o dia posterior somente para aclimatação em tamanha altitude.
Calle Sagarnaga.
Aproveitamos para almoçar na pousada mesmo. Pagamos 30 bolivianos por pessoa tipo Buffet. Depois do almoço, como eu estava me sentindo melhor, saímos a pé para dar uma volta. Fomos para  o Mercado de las Brujas, que nada mais é do que uma rua cheia de comércio, onde se vende de tudo: desde fetos de llamas até artesanato.
Igreja São Francisco.
Fomos até a igreja São Francisco, tiramos umas fotos e seguimos caminhando a duras penas pelas ruas do centro histórico somente para fazer o reconhecimento. Não conseguíamos caminhar rápido, a cada 100 metros parecia que tínhamos corrido uma maratona!!!! Depois fomos para a Av. Illampu para conhecer o comercio local, onde se vende de tudo.
Depois de caminhar um pouco pela Calle Illampu, paramos em algumas agências de turismo para pesquisar os preços dos passeios pela Bolívia. Os preços entre elas variavam muito. Já mortos de cansaço, resolvemos parar para comer alguma coisa e conhecermos a Tia Gladys, uma lanchonete bem legal que tem no cardápio produtos gostosos a preços muito bons. Servem desde um simples café até jantar completo. Depois disso, mesmo sendo 19h, voltamos para o hotel e cama.
Teleférico que liga La Paz a El Alto.
Acordamos as 8h e depois do café, como eu já  estava bem melhor do efeito do soroche, saímos a pé pela cidade para conhecer o teleférico, recém inaugurado. Este teleférico é utilizado pelos turistas, mas para os bolivianos é um meio de transporte que liga La Paz à cidade vizinha de El Alto. Caminhamos um pouco e o achamos sem muita dificuldade. 
Não se parece um favelão?? Casas inacabadas construídas na montanha.
Nos dias de domingo e quartas tem a feira 16 de julio na parte alta da cidade, no município de El Alto, que segundo os bolivianos é a maior da América Latina. Nesta feira, vende-se de tudo: desde agulhas até tratores e NÃO é para turistas. Depois do teleférico, que estava lotado e cheio de filas, seguimos para a feira e confesso que não gostamos. Na verdade, detestamos o lugar, pois era fedorendo, empoeirado e cheio de trombadinhas.
A vista da cidade é fantástica!!!
DEVE-SE TOMAR EXTREMO CUIDADO para não se roubado ou furtado lá. Todas as pessoas que conversamos durante a espera na fila nos disseram a mesma coisa. Na verdade, é uma feira onde se vende produtos contrabandeados ou roubados. FUJA!!!!!! Recomendamos que os turistas fiquem apenas no teleférico, que é muito legal.
Plaza Murillo.
Depois do teleférico, fomos almoçar no restaurante da tia Gladys, o mesmo que jantamos no dia anterior, pois adoramos o ambiente jovial e alegre, e principalmente da comida, que era mais saudável. O que nos chamou a atenção logo de cara é que os bolivianos comem muita comida gordurosa. Há barraquinhas em todos os lugares da cidade que vendem frituras de todo tipo!! Aliás, achar comida saudável lá é um desafio.
 Depois, seguimos para a Plaza Murillo, passando pela rua do comércio (calçadão) para conhecer a Catedral de La Paz, o Palácio de Governo, a Prefeitura e o Palácio Legislativo. Como era domingo, estava cheia de crianças, casais e idosos. Achamos a praça bem bonita. 
Palácio Legislativo com as bandeiras da Bolívia e de La Paz.
Catedral de La Paz na Plaza Murillo.
Palácio de Governo.
Prédios públicos.
Depois disso, resolvemos voltar pela rua do Comércio e descer para a Praça da Igreja São Francisco, onde também estava cheia de gente e além disso, tinham apresentações artísticas bastante interessantes. Demos um tempo lá e voltamos caminhando para a pousada. Antes, compramos empanadas e suco para nosso "jantar".
Muitas ladeiras.
No dia seguinte, decidimos contratar os serviços da agência Vicuña Travel (Calle Illampu, próximo ao Hostal Copacabana), pois gostamos do atendimento da Cláudia e dos preços. Optamos pelo passeio a Tiwanaku, um sítio arqueológico próximo a La Paz por dois motivos: o primeiro, era que não se exigia muito exercício físico para ir e o segundo, para conhecer a qualidade do serviço da agência, pois tínhamos a intenção de fazer todos os outros passeios com a mesma.
 Tiwanaku é um sítio arqueológico da cultura pré-colombiana localizado a 70 km de La Paz. A maneira mais fácil de chegar é contratando serviço de traslado com guiamento em uma das diversas agências de turismo em La Paz. Não é um passeio caro, pagamos 55 bolivianos cada. No local, paga-se 80 bolivianos para visitar o museu.
 Tiwanaku, berço da cultura pré-inca.
O local é patrimônio mundial da UNESCU e possui um museu, onde podemos ver o monolito de Bennet, com mais de 7 metros de altura, (não é permitido fotografá-lo), várias peças de cerâmicas encontradas em diversas escavações e muitos objetos curiosos da civilização pré-inca. Na parte externa do complexo,  há as ruínas do Templo de Kalasasaya, onde se encontra a famosa Puerta del Sol.  
 Nosso guia mostrando a maquete do complexo.
Esteja preparado, não deixe de levar óculos de sol, protetor solar, água e chapéu, pois o sol é muito forte e neste passeio, passamos a maior parte ao ar livre.
 Há várias teorias a respeito da formação da cultura Tiwanaku. Uma delas é que o império era tão gigantesco que compreendia terras na atual Argentina, grande parte da Bolívia, chegou até as costas do pacífico e se expandiu até terras peruanas, dando origem muito mais tarde à cultura Inca.
Adilson ajudando o guia a demonstrar o significado da posição das mãos do monolito Fraile. Só especulação.
Não há nada cientificamente comprovado, somente especulações bem curiosas. Há teorias que dizem que a cultura Tiwanaku ou Tiwanakota se extinguiu por uma enchente no lago Titicaca; há outras que afirmam que houve uma seca prolongada que matou toda a vegetação e eles emigraram para outras regiões; há outras que afirmam que eles guerrearam entre si em busca de poder, o que fez com que a civilização se dividisse em várias e se dispersassem por toda a região andina.
Ao fundo, escavações e parte da reconstrução da pirâmide no templo de Kalasasaya.
O grande barato é ouvir todas essas teorias, pois a gente aprende e se surpreende. De qualquer maneira, pelo que foi encontrado pelos arqueólogos, e pelo que observamos lá, o povo era bastante organizado, com técnicas de construção e agrícolas muito desenvolvidas para a época.
Monolito Ponce.
Esta é a famosa Puerta del Sol.
A Puerta del Sol, foi encontrada semi-enterrada pelos arqueólogos, (acredita-se que os espanhóis tentaram destruí-la) e é bastante curiosa. Tem no centro, acima da porta, a imagem do Deus Wiracocha (o criador do universo) com dois cetros, que representam o poder do bem e do mal e várias incrustrações de símbolos ao redor do Deus. 
Detalhes do Deus Wiracocha.
Acredita-se também que a porta marca o solstício de verão, quando os raios de sol em determinada época do ano atravessam a porta. Muito interessante, não acham?????
Muralha do templo.
Esse é o templo semi-subterrâneo.
Esse templo tem aproximadamente dois metros de profundidade, possui três monolitos no centro e cento e setenta e cinco cabeças incrustadas ao seu redor. Tudo muito curioso.
Dentro do Templo.
Parte do sítio arqueológico, que é imenso.
Depois de Tiwanaku, fomos almoçar. O almoço não está incluído no passeio. Há opções de refeições ou sanduíches, mas recomendamos o sanduíche, pois a comida é muito ruim, inclusive o próprio sanduíche. Quem não quiser comer, melhor levar lanches, pois não há onde comprar nada.
Depois do almoço, seguimos para as ruínas de Pumapunku.
Não há muito o que ver, somente gigantescos blocos de pedras meio sem sentido, pois as ruínas estão abandonadas e segundo o guia, infelizmente não há nenhum projeto até o momento para a recuperação do local. Uma pena!!!
Ruínas de Pumapunku.
Acredita-se que neste  local havia o que seria o maior templo Tiwanakota descoberto até hoje, que infelizmente está completamente abandonado e à mercê de vândalos, que vão ao local para pichar as pedras. Lamentável. 
Abandono total.
Depois da visita a este templo, se finaliza o passeio e a van volta diretamente para La Paz. Gostamos muito de ter ido até lá e conhecido um pouco da cultura Tiwanaku. Achamos que vale muito à pena e recomendamos.
La Paz, uma cidade caótica.
Permanecemos ainda vários dias na Bolívia, mas não especificamente em La Paz. Os outros lugares que conhecemos e as aventuras em que nos metemos, publicaremos em outras postagens. Ainda tem a Ruta de la Muerte (estrada da morte) que fizemos de bicicleta; o Salar de Uyuni com o deserto Dali, além de Copacabana com Isla del Sol. 
Tiramos essa foto do avião. Dá para ver nitidamente a montanha Ilimani com seus picos nevados, a depressão onde se encontra a cidade de La Paz e a cidade de El Alto. Ah, tem a lua também!!!!!
Embora seja uma cidade suja, empoeirada, caótica, cheia de trombadinhas, e muito pobre, La Paz tem seus encantos. O primeiro deles é o seu povo e a maneira que falam o espanhol, que é muito peculiar. O segundo, são as suas construções inacabadas que dão um aspecto de imensa favela à cidade. O terceiro e último, indefinidamente mais belo em nossa opinião, são as belezas naturais que estão ao seu redor. É poder ver de vários pontos da cidade a imponência dos Montes Ilimani e o Wayna Potosí com seus picos cheio de neve e sentir a grandiosidade da Cordilheira Real. Enfim, entramos para as estatísticas daqueles que AMAM La Paz!!!!!!!!!!!!

VISITE TAMBÉM:
RUTA DE LA MUERTE

Um comentário:

  1. Acho que eu faria parte dos que amam essa cidade. Gostaria muito de conhecer, só pelas belezas naturais já valeria muito à pena.

    Abração ao casal

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